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Alekena Gavina... Uma gaivota sonhadora encontrando nas palavras o seu vôo da liberdade. Apaixonada pela literatura, busco na escrita o elo perdido. Ainda estou no exórdio de minha jornada. Meus conhecimentos são parcos, mas sei que há um gigante em fúria no interior dessa alma em busca de sua liberdade. Nesse espaço,tentarei dar-lhe vida e, a todos que aqui vierem, agradeço as críticas, sugestões e a visita.

sábado, 16 de abril de 2011

CONTRASTES

 

Amantes viajantes... Nunca a chegada.
Perdidos na imensidão do vazio de seus corações, apenas o encontro nos sonhos.
Cada minuto... A eternidade.
Valeu a pena?
Sim. Todos.
Um dia −, Almas Gigantes.
Hoje, Alma Gigante na realidade de uma Alma Pequena.
Sofridas, agonizam pela saudade da presença ausente.
Pequenas são as esperanças.
Na busca, a tentativa de alcançar o inalcançável.
Em suas vidas, ao final, a eterna espera.
Amanhecem em si.
Todos os dias se têm.
Nenhum dia as tem.
Nada e tudo são para sempre.
Dias vazios−, não há o sustento de uma vida.
Não há apoio algum. O mundo se desmorona.
No repouso, o abandono.
No ócio, o estresse.
Na incerteza, a certeza da luta...
Inglória a vitória.
Encontro inexistente.
Morte a cada novo amanhecer.
A vida... Um jogo...
Se a perder, resta-lhes a culpa.

Como privar Alma Pequena de estar nesse mundo, se o mundo que deseja não pode estar?
Alma Gigante, somente num mundo distante.

Quem é Alma Gigante?
− É a essência de uma Alma Pequena. É o nada na sua existência. Representa o mundo vivo numa saudade, extinguido em sombria realidade.
− É a amiga oculta, existente no peito, ausente do mundo. Sua luta é relutar para não voltar, mas força estranha a impulsiona a retornar. O desejo de saber onde está sua Alma Pequena, a faz retroceder. A tudo precisa saber.
− É a amiga oculta que dá luz à sua Alma Pequena quando o seu caminho está nas sombras. Dá-lhe um sopro de vida para que se reerga e renasça em seu peito a esperança da continuidade.

Ah Alma pequena!
Seu mundo é tão pequeno. Nada tem.
Sua única companheira é a solidão.
Ausente é seu lar, há apenas a casa. Desguarnecida de bens, de sentimentos e de aconchego.
Miserável é sua vida. Tem apenas o abraço de paredes frias, seu corpo lançado sobre o carpete estirado ao chão, repousa solitária no vazio de uma noite sem fim.
Nas manhãs, de todos os dias... O nada. O olhar a vaguear por um horizonte em busca de vida.
No encontro? Apenas, o nada.
Seu coração está repleto do vazio de sua Alma Gigante.
Resta-lhe a espera de mais uma noite eterna.
Forças não há. É o limite do seu ser.
É chão que já deu vinha.
Abandonada por todos à própria sorte, carrega em si o único motivo que ainda a faz sentir a brisa da esperança bater dentro de seu peito... A volta de sua amiga oculta - Sua Alma gigante - O seu coração, o lar de todos os dias de uma vida.
No destino, não há um plano.
São momentos que passam no tempo.
Um tempo perdido no tempo.
Deixar que se finde?
Difícil decisão.

Alma gigante se oculta no recôncavo dessa Alma Pequena.
É a sua sobrevivência.
Separadas, viverá Alma Gigante, trazendo em seu peito, o martírio da morte de sua Alma Pequena.

sábado, 2 de abril de 2011

Encontrando o Amor

Escrevo-te para dizer das saudades que transbordam do meu peito, da falta que me faz tua presença, dos sonhos que me trazem você, da carência de seus carinhos.
Seu jeito de ser -- doce, meigo, sereno e terno -- me embala em suave nostalgia. Jeito esse, que me fez apaixonar por você.
Exuberante flor do meu jardim exala fragrância de magia.
No céu, estrela mais linda, reluz iluminando minha estrada da esperança.
Meus pensamentos se perdem e não há palavras que possam expressar o quanto desejo lhe ofertar esse sentimento que se agiganta em meu peito.
O que vieste fazer em minha vida, linda e formosa mulher?
Dentro de mim havia o vazio, o nada. Estava tudo estagnado, morto. E diante da tua presença, a vida renasce.
Você encontrou a chave do calabouço onde sentimentos trancados se perdiam no tempo, deixando aberta a porta das saudades e busca. E no silêncio desse peito, inquieto, esse coração verte lágrimas incessantes
Agora o amor se faz presente e eu aprendo a te amar a cada minuto do meu dia. Amar nessa distância que me castiga e brado aos ventos tentando levar-te o eco de minhas palavras em busca de você.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Houve Dias Que...

... Que morrer ou viver me era indiferente. Que eu não sabia que tempo era, onde estava, quem eu era... E nem me importava de saber.

... Que simplesmente páginas brancas e vazias seguiam à minha frente... E minha mente apenas vagava pelo universo em busca de uma luz, e ela era longínqua. Apenas um pontinho perdido no infinito, mas o seu brilho, apesar de distante, nunca se apagou.

... Que apenas acordava e permanecia no mesmo lugar esperando por um novo dia. Que meu peito era banhado por um oceano de dor, feridas se abriam e sangravam noite e dia.

Houve dias de completo abandono de mim mesma, do mundo e de tudo que representava ter vida... Dias de torturante solidão.

Também houve dias que, ao abrir meus olhos, eu sonhava acordada com um mundo novo, restaurado de esperanças, repleto de vida.

E eu não sei se hoje é um dia desses, mas penso... Que andei sonhando e delirando.

Penso ter sido arrebatada para uma terra mágica e lá, encontrei luz fascinante, com seu brilho alastrando-se por todo o meu ser, trazendo-me paz e suavidade no meu dia.

Talvez fosse uma estrela. A estrela que eu busquei por um deserto de sombras e cegamente tentava alcançar num caminho sem fim.

É!...
Acho que andei sonhando sim.

Sonhei com um mundo renascido em mim, repleto de pétalas douradas, com o mar invadindo meu corpo e lavando dias de torturas e pesadelos...

Sonhei com o amor... Ardente, chamas propagando entre lençóis, momento inefável... Mãos entrelaçadas, olhar extasiado, corpos embriagados de prazer, bocas ávidas de desejos...

Sonhei com o amor, ato lindo e nutrido de emoção...
Sonhei neste dia com a entrega de dois amantes em um só coração.

É!...
Penso que houve um dia assim!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Que Eu Digo A Voce?

Tenho medo de falar de amor...
E não quero lhe causar amargor.
Quero dizer das saudades do teu ser...
Mas penso melhor para não me arrepender.

Quero sentir o calor da tua voz...
Mas o frio silêncio é mais veloz.

Brigo com minha resignação...
Brigo insanamente.
Mas não brigo com meu coração...
Porque ele te ama loucamente.

Suplico por um momento...
Um único instante.
Só resta o definhamento...
E a saudade suplicante.

Procuro esquecer o passado...
Mas ele é o meu presente.
Triste e inconformado...
Não há como ser diferente.

Saber o que eu quero lhe dizer...
Eu não sei esclarecer.
Só sei que é voce o tempo inteiro...
Vida e encantamento verdadeiro.

Ser amiga eu não sei ser...
Só sei que não consigo te esquecer.
Só sei que em todo amanhecer...
É só voce que me faz viver!

Falar de amor eu não sei se devo...
Mas no meu coração eu me atrevo.
A certeza de tudo que te falei...
É que sempre te amarei!!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Onde Está Voce?

Tem dia que é muito mais difícil, mais dolorido.
Hoje é um deles.


Me diga...
Onde está voce?

Deixe-me viajar até voce...
Deixe-me sentir tuas mãos junto às minhas, aquecendo minha alma...
Deixe-me ter teu corpo colado ao meu, protegendo-me de mim mesma...
Deixe-me olhar em teus olhos e sentir a vida no brilho do teu olhar...
Deixe-me ouvir tua voz, acalentando-me e serenando-me...
Deixe-me reviver os momentos de alegria, de glória e vitória...

Eu preciso da tua presença...
Eu preciso sentir a paz que voce me traz...
Eu preciso do teu abraço...
Eu preciso simplesmente ter certeza que não foi um sonho...

Amargos tem sido todos os meu dias.
Tristes tem sido todas a minhas horas.
Infeliz tem sido meu coração.
Inconstantes são meus pensamentos.

Saudades e vazio é o que carrego dentro de mim.
Solidão é minha companheira constante.
Só as lágrimas aliviam a minha dor.


Dói a saudade...
Dói a sua ausência...
Dói a ausência de mim mesma...
Dói a vida que se foi...
Dói todas as incertezas...
Dói ver o brilho ofuscado em meu olhar...

Tento ser forte...
Tento me enganar...
Tento te enganar...
Tento enganar a vida...
Tento esquecer...

Nada é seguro...
Passos indecisos fazem parte de minha jornada...
O perigo vive na minha mente...
O desejo do fim não me abandona...

Onde está voce?
Onde está voce que me supria nas horas infinitas de amargura?
Onde está voce que me protegia da escuridão?
Onde está voce que me inspirava a ter uma razão?

Quero encontrar a paz...
Quero as flores da primavera...
Quero a brisa no meu rosto, suavizando meu semblante...
Quero sentir o bater forte do meu coração...

Onde está voce para tirar-me desse dia?

sábado, 15 de janeiro de 2011

PALAVRAS NO OLHAR

Treze anos se passaram. Parece uma eternidade. No entanto, ainda hoje aquele dia ecoa no presente de Helene.

Naquela tarde de dezenove de junho de 1997, Helene foi visitar sua mãe que estava internada por complicações no seu organismo advindas do diabetes. Helene e sua irmã Noelle aguardavam a hora de entrar, mas, por normas do hospital, somente poderia entrar uma de cada vez. Helene ainda voltaria ao seu trabalho e decidiram que ela entraria primeiro.

Ao ver sua mãe, Helene sentiu-se incomodada com seu estado de prostração, mas não deixou transparecer seus sentimentos. Ela havia levado kiwi que era uma das frutas que sua mãe gostava. Com dificuldades para sentar-se, Helene a ajudou a recostar em seu leito e lhe deu a fruta. Ao tentar segurá-la sua fraqueza era tanta que o deixou cair, sendo o mesmo espatifado à beira da cama. Com a voz sumida e lenta disse-lhe que não queria outro por agora e pediu para ajudá-la a ir ao banheiro.

Observando-a a se locomover daquela forma, com muito esforço, a passos lentos e totalmente sem forças, Helene sentiu um aperto no peito e uma vontade de chorar, mas, se segurou, mantendo-se firme para que sua mãe não percebesse o quanto ela estava arrasada por ver seu estado tão doentio.

Esforçando-se para falar, sua mãe lhe pergunta sobre seu neto, filho de Helene e lhe diz para que cuide bem dele. Algo inquietante em seu coração se instalara diante dessa fala. Quis saber de seu irmão Ronald, filho amado e idolatrado por sua mãe. E Helene dizia estar tudo bem.

Sua mãe quase não conseguia falar. Pareceu-lhe que suas energias não estavam mais em seu corpo. Examinando seu aspecto tão decaído, num gesto de carinho Helene penteia-lhe os cabelos e o amarra como ela gostava de usar.

Helene ficara ali um bom tempo, quase já vencendo o horário de visita. Ela tinha que ir para que sua irmã pudesse entrar, mas algo não a permitia sair, como se no íntimo ela soubesse que aquele era o seu último momento ao lado de sua mãe. Mas precisava ir. Despediu-se dela com um nó na garganta, desejando que ela melhorasse.

À porta do quarto, Helene se detém a olhá-la demoradamente pressentindo que não mais a veria. Sua mãe a olhou sem nada dizer, mas o seu olhar se despedia de sua filha. Algo dentro de Helene dava-lhe a certeza que nada mais poderia ser feito e foi-se embora com uma amargura nunca antes sentida.

Sua irmã quis saber como ela estava e Helene com voz embargada disse-lhe que não estava nada bem. Abraçou sua irmã e foi para o ponto de ônibus para retornar ao seu trabalho.

No momento em que saiu daquele hospital uma descarga de lágrimas invadiu seu rosto e Helene não conseguia mais parar de chorar. Era um choro desesperado, aflito, como nunca havia chorado em toda a sua vida. Todo o seu corpo tremia e algo a sufocava. Da rua olhava para a janela do quarto onde sua mãe estava e seus soluços se agigantavam dentro de si. Ela queria parar e não sabia como.

Pegou o ônibus e retornou ao seu trabalho. Uma dor que não se explica tomou conta de seu ser. Ela não lamentava nada, não pensava nada, apenas deixava que as lágrimas levassem para longe o vazio que estava instalado dentro de si.

Ficava em sua mente o olhar de sua mãe vendo-a partir. Passou o resto do dia triste e com o pensamento nela.

O que Helene sentira naqueles instantes de despedida era o prenúncio do que o destino já havia arquitetado.
Na madrugada do dia vinte de junho, às 2h45min o telefone toca. Seu coração já lhe dizia o que ela iria ouvir. Sua mãe havia falecido. O resto da noite o pranto foi seu companheiro e lentamente a dor da saudade cravava em seu peito. Chorou por longo tempo até serenar seu coração. Ao amanhecer, preparou-se para ir ao encontro dela. Era a sua despedida final.

Assim, aos trinta e cinco anos de idade, Helene colocou pela última vez seu olhar naquela que lhe dera a vida e que tão prematuramente seguia para um novo chamado.

Durante todos esses anos ficaram-lhe as lembranças daquele dia...

- O kiwi ao chão;
- O olhar de sua mãe a lhe dizer: “não vamos nos ver mais” ;
- E o aviso, através do seu pranto, de que aquela era realmente a última vez.

Helene queria ter sido dotada da compreensão das palavras não ditas e naquele momento derradeiro, ter dado à sua mãe o seu abraço, o seu beijo, o seu agradecimento e desejado que ela fosse feliz onde estivesse.

No entanto, no silêncio de sua despedida... Restou-lhe apenas a saudade

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

TUDO SE PERDE...

Sonhos se fazem... Sonhos se perdem.
Em um momento há vida.... No momento seguinte, só escuridão.
Da mesma forma que o dia nasce com o brilho do sol... a realidade se faz ao anoitecer.

Só há algo que nunca se perderá... O amor!

Não importa que não o viva intensamente com todos os desejos... Ele sempre existirá.
Tudo pode se esvair, mas a presença do amor viverá eternamente nos corações daqueles que o possui.

Mesmo que ele nunca seja mencionado, ele estará lá dentro do peito que o abriga, aquecendo a alma e mantendo acesa as lembranças dos belos e eternos momentos que ele proporcionou a quem o buscou e o encontrou.

Mesmo que não ouça um "Eu Te Amo", o coração que o conheceu, todos os dias gritará aos quatro ventos por esse amor e tem certeza que ele o ouvirá, seja lá onde ele estiver.


E essa certeza só tem um motivo: - Tudo se perde... Menos o Amor!

Louco Amor!

Eu parei aqui em frente dessa tela à espera de inspiração.
Sobre o que eu quero escrever? – Não sei.
Tem tantas coisas que me vêem à mente, mas não consigo formar idéias completas.
Achei um texto que comecei a algum tempo e por uma razão óbvia não o terminei.
Ele fala de um amor impossível, dos sonhos de um casal que se enlouqueceram de amor. Literalmente se enlouqueceram. Perderam-se no tempo e de suas realidades.
Viveram e sofreram insanamente uma paixão. Quiseram crer num sentimento que se enraizou , entrelaçando-os de tal forma que não houve  libertação.
Outro dia li essa frase:
- "Jamais permita que paixões desenfreadas te tirem do mundo real para te fazer entrar num mundo que nunca existiu".
Pareceu-me apropriada para o meu texto.
O que foi aquele sentimento?
Paixão?
Amor?
Eram reais ou nunca existiram?
Que sentimento foi esse que os levou por um caminho que nunca trilharam, mas que, no entanto sempre tiveram o seu encontro?
Foram delírios de uma noite sem fim e se perderam de si?
A verdade é que ainda estão juntos... mas ainda se procuram. Há as lágrimas, não por não mais sorrir, mas pelas lembranças do muito que foram felizes.
Horas a fio se esperam, mesmo sabendo que nunca estarão nesse mesmo mundo incoerente em que vivem. Esperam pelos belos momentos, pelos sonhos e devaneios. Eterna espera.
Querem os seus remotos tempos. Mas já não há mais tempo. Nem um nem outro pode dar esse tempo. Não podem dar o que não têm.
Eu queria que eles se encontrassem, continuasse na mesma direção, mas estão em constante fuga. Não sei se ele foge dela, ou ela de si mesma. Sei que incorporaram sonhos e num percurso obscuro, não enxergaram o pesadelo que foi se construindo ao seu redor.
O que hoje resta é apenas dor e solidão, mas o calor daquele louco amor continua a queimar-lhes a alma.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

POBRE MARIA... POBRE JOÃO!

Pobre Maria!

Constante era sua fragilidade.
Minava sua vida com voracidade.
Previsível a fatalidade,
Não teria longevidade.

41 anos de cumplicidade.
De que serviu sua lealdade.
Foi esquecida com crueldade,
Por aquele a quem entregou sua mocidade.


Pobre João!

Perdido diante de sua dura realidade,
Nem mesmo respeitou o findar da solenidade.
Perturbado em sua precária sanidade,
Entrou num mundo de excentricidade.

Primeiro instante encontrou a oportunidade.
Quis provar sua masculinidade.
Não atentou para a identidade.
Foi enganado por sua inabilidade.

Seduzido,  nutriu-se da necessidade.
Olvidou  a moralidade,
E ignorou o passado sem culpabilidade,
Tentando crer na presença da felicidade.

Dias de respeito desapareceram dando lugar a desonestidade.
Perdeu seu amor...  e sua dignidade.
Desconheceu o sentido de hombridade.
Vive apenas a era da imbecilidade.

Pobre João!

Vagueia na estrada da caducidade.
Quando entrar no tempo da debilidade,
Recorrerá à espiritualidade
Em busca do perdão para sua irracionalidade.

Pobre Maria!

Resta-lhe a passividade,
A esperança na imortalidade,
Uma nova vida em continuidade
E a liberdade na eternidade!

domingo, 24 de outubro de 2010

FINDOU-SE A MORTE!

Findou-se a morte.
Poderá ela ter essa sorte?

Vidas foram ceifadas em sua rotina.
Poderá ela lamentar sua sina?

Nascer, viver, viver, viver...
Seu destino?... Enlouquecer!

Caminho eterno...
Esse é seu inferno.

Findou-se a morte.
Há quem se importe?

Desfaça-se esse engano.
Foi apenas um sonho insano.

Nada de compaixão.
Seu fim... A Solidão

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

DEVANEIOS

Suas últimas palavras: “ Boa Noite.” Simplesmente essas palavras para finalizar aquele momento em que tinham certeza que seria o último de suas vidas.
Depois... O silêncio...Frio e cortante. Rasgando o seu peito de saudade e dor.
Na manhã seguinte havia um resto de esperança em Sarah. Queria receber o seu bom dia como todos os dias lhe fora dado durante todo aquele tempo. Esperou em vão. As horas passaram e nenhuma voz chegou ao seu coração.
Não recebeu o tão esperado bom dia. Não recebeu sua oferta para almoçarem juntos. Não recebeu o seu “boa tarde”, o seu “como vai”.
Ainda, com uma faísca de ilusão, aguardou por ele na noite, trazendo-lhe esperança, dizendo-lhe de seu dia, da saudade que sentiu dela, da dor que o arrebatava por não terem suas presenças nesse dia. Mas nada aconteceu. Absolutamente nada. Apenas o vazio de um dia, sem notícias de quem lhe dava vida.
A cada segundo que se seguia Sarah pressentia que um espaço se fazia entre ela e seu amado JB. Seus passos já não seguiam na mesma direção. Um aperto em seu peito a consumia por saber que estava feito. O elo que os unia estava se desfazendo e se perdiam um do outro, se perdiam no tempo. Tempo este que não mais faria parte de seus dias.
Uma agonia usurpava todo o seu ser e Sarah sentia-se perdida, sem rumo. Desejava loucamente poder ouvi-lo chamar seu nome. Mas ele se foi. Se foi porque assim Sarah quis. Se foi porque Sarah o queria mais do que ela poderia ter.
Não o tem. Não pode tê-lo. JB poderia estar no seu caminho, mas Sarah jamais estaria no dele.
E assim, ela o libertou. O libertou para que pudesse voar e encontrar sentido em sua existência, porque ao seu lado só haveria o nada.
Sarah sabe que ele não mais voltará, mas insiste em procurá-lo no brilho do sol, no arco íris postado sobre o mar, na alegria de suas manhãs. Ela o procura no horizonte, numa linha de esperança rasgando o infinito, onde ela possa ver o seu nome, o seu olhar e suas mãos estendidas para ela.
Ah! Que saudades Sarah sente dos seus sussurros, do calor de seu hálito nos seus ouvidos, da canção de sua voz, do brilho de seus olhos e seu sorriso disfarçado! Quanta falta faz a presença de JB em sua vida! Quanta falta lhe faz o seu carinho, o seu amor, a sua dedicação, o seu companheirismo e a sua paz!
Onde andará aquele que se tornou a luz do seu caminho?
Sarah não entende. Não compreende esse sentimento enraizado em suas entranhas. Teve um amor grandioso, um amor sem limites. Como compreender esse amor a alguém que nunca esteve diante de si, que nunca tocou em suas mãos, que nunca pode ter o brilho de um olhar a penetrar-lhe, que jamais pode ter o seu calor a lhe aquecer e, no entanto o fogo desse sentimento queima em sua pele? Como sentir essa presença se nunca a teve? Como ter saudade de quem nunca se teve e nunca se viu? Como perder o que nunca se possuiu?
Nada faz sentido. Nada é capaz de dar-lhe respostas aos questionamentos de sua alma. Sarah vive essa vida que nunca viveu. Ela vive essa vida sem vida de uma existência sem sentido.
Estaria Sarah louca? Não. Não está louca.
Houve esse amor e um sentimento intenso cravado em sua alma. Era um todo. Não sabe onde foi que se perderam.
A procura é incessante, mas não há o encontro. Só sabe que JB existe em algum lugar desse universo.
Fica a saudade, a dor, a incerteza de onde foi parar esse amor. Que caminho terá seguido? Que destino a vida lhe reservou?
Ela não sabe. 
Sabe apenas que pulsa em si os momentos não vividos, a certeza desse encontro tão marcante em suas lembranças e a despedida desse grande amor.
Nada mais.

FOI ASSIM!

O encontro.
A descoberta.
O amor.
A partilha.
Os sonhos.
As tormentas.
A fraqueza.
A renúncia.
O Adeus.
O sofrimento.
A solidão.
O arrependimento.
As saudades.
O fim!